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  • Erika Pallottino

Como ajudar crianças e adolescentes no Luto pela COVID-19

Dor e sobreposição de dor. Sobrecarga emocional cruel nos tempos da COVID-19.

Luto de um, luto de todos. Famílias enlutadas pelas perdas múltiplas. São pais, avós, idosos e filhos. São muitos. Não em número apenas, mas em afetos, em rede humana que a parentalidade nos traz, nos faz, nos refaz no mundo. Somos a nossa família, mesmo quando não queremos ser! A COVID-19 leva entes queridos ao mesmo tempo, em intervalos pequenos.

As despedidas, hoje, tuteladas pelos governos, estados, municípios, OMS e afins, nos dizem como prantear e lamentar nossos mortos em velórios que determinam número, forma, tempo e ritual formal. São mortos COVID-19 sem ver, cuidar e tempo para elaborar. Entram para o hospital para se tratarem, vão embora sem a gente poder dizer Adeus!

Isso é dor e sobreposição de dor. Falta ar e respiro para seguirmos com esperança em dias melhores. Sim, por um tempo, nos tornamos a dor, somos a voz da dor. A transição do luto nos ajuda a passar para os sentimentos de saudade, lembrança, memória do legado deixado e vivido. A dor vira pesar. O tempo, às vezes, ajuda sim.


Diante disso, como ficam as crianças? Quem olha para o conforto e para as suas dores? Porque elas também perderam lugares de afeto e de segurança. O mundo virou e ninguém avisou, e esquecemos de avisar a elas! Brincando e sorrindo, podem passar invisíveis pelos nossos cuidados. "São só crianças, nem percebem o que acontecem."

Sim! São crianças! Mas sentem! Percebem!

Precisam também de comunicação adequada, de conforto e amparo, de compaixão com suas dores, de generosidade de seus cuidadores. Perderam colos de avós, conversas com irmãos, brincadeiras com pai ou mãe. Perderam muito, demasiadamente. Ainda estão aprendendo a ler o mundo. E o mundo, agressivamente, os tirou de seus colégios, de suas rotinas, do encontro com os amigos, de festas de aniversários, das praças e parques, da vida normal de ser e viver criança.

A ansiedade e a depressão que acometem adultos e idosos, também chegam às crianças, Precisamos valorizar e legitimar suas vozes, Dar lugar ao sofrimento infantil. Amparar angústias e ameaças. Cuidar de suas dores.

Foi com esse intuito que o Instituto Entrelaços criou esse material. São algumas dicas de como você pode ajudar a criança a se despedir, a enfrentar tudo isso que vivemos, a se enlutar.

Esperamos que lhe ajude a se sentir mais seguro e a entender que, crianças também vivem luto, dor e pesar. As crianças também precisam de cuidados!


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