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  • Erika Pallottino

Dia de Finados


Na semana passada, enquanto eu atendia uma criança que havia perdido a mãe, conversamos muito sobre a representação do Dia de Finados, sobre a simbologia de ter um dia voltado para os mortos. Ela falou sobre o México e sobre o dia dos mortos que é vivido como uma festa neste país. Me contou sobre um desenho que tem previsão de estreia nos cinemas para o próximo ano e que fala sobre esse tema. Assistimos juntos ao trailer desse filme no Youtube. Muito assustada e, ao mesmo tempo curiosa, sobre imagens que passaram no trailer do desenho, ela falou sobre caveiras, fantasmas e cemitérios.

Falamos sobre o seu medo de escuro e associamos essa reação ao medo da morte.

Falamos, claro, sobre a morte de sua mãe, sobre enterro e rituais fúnebres e de passagem.

Essa conversa foi naturalmente acontecendo. A criança, também naturalmente, foi falando sobre as suas fantasias e seus medos. Fui guiando e acompanhando os seus pensamentos e, juntos, fomos construindo significados e sentidos para o que estava na sua imaginação, para o tinha a ver com a sua resposta de luto, e o que tinha a ver tudo isso com a sua personalidade.

Como, então, não falar de morte com as crianças? Vou reformular a pergunta: Por que não falar de morte com as crianças?

Morrer e viver são partes de um mesmo ciclo, o ciclo natural da vida. Vivemos e morremos e assim sempre será. Adultos morrem, idosos morrem, crianças também. Adultos se interrogam sobre a morte, sobre o que acontece depois, crianças também.

Hoje, dia dos finados, pode ser um dia importante para falar sobre esse tema com as crianças. Explicar sobre a representação de um feriado que é dedicado aos que morreram, pode ser uma excelente oportunidade para conversar sobre rituais, desmistificar medos e fantasias sobre cemitérios e fantasmas, diminuir a ansiedade e ameaça sobre o tema da morte e do morrer.

Sei que não é fácil iniciar uma conversa que, para muitos pais e adultos, é tabu. Mas posso garantir que a sua criança, muito provavelmente, pode ter perguntas para fazer, pode ter em seu imaginário construções um tanto quanto ameaçadoras (ainda mais se ela viveu algum processo de perda) que podem deixá-la ansiosa.

Experimente conversar e se surpreenda com a possibilidade de reação das crianças.

Deixo a seguir uma singela mensagem a todos os enlutados que vivem o dia de hoje como um dia especial, diferente de todos os outros.


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